cebeçalho blog
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Educare, no latim, era um verbo cujo sentido era o de criar (no caso, a criança), nutrir, fazer crescer. Podemos dizer, portanto, que educar está relacionado a trazer à luz a ideia. Hoje (e todos os dias, especialmente neste ano de 2020), quero tentar expressar um pouco do que significa ser docente, no dia dos professores, das professoras, enfim, no dia de quem escolheu, por mais árdua que seja a tarefa, dar à luz as ideias.

O que é ser docente? 

É VOCAÇÃO.

Você se lembra de quando decidiu entrar em um curso de licenciatura? O que moveu essa vontade? 

Eu tinha (e tenho) a expectativa de transformar realidades e de poder contribuir para a realização de sonhos (costumo dizer que, no primeiro dia em que nos encontramos em sala (estudantes e eu), os sonhos deles e delas se tornaram os meus sonhos também).  Hoje eu sou um pouco médico, advogado, engenheiro, psicólogo, jornalista, professor, músico, youtuber e tantas outras profissões. Esse desejo me motivou a escolher o curso de Letras, a esperar por dias melhores, por uma sociedade menos desigual, e é o que também me move antes de iniciar uma nova aula (agora intermediada pelas telas de computadores e smartphones). 

Às vezes, na rotina e nas dificuldades enfrentadas, nos esquecemos do que nos levou à licenciatura.

Mas hoje é dia de pensarmos nesse início, de voltarmos às expectativas na época da faculdade e de constatarmos: não estamos sozinhos nesses sonhos. Não são apenas os sonhos de estudantes que se tornam os meus também: o sonho de vocês por uma educação de maior qualidade e mais valorizada é outro grande desejo compartilhado.     

É CORAGEM.

“O correr da vida embrulha tudo,
a vida é assim: esquenta e esfria,
aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta.
O que ela quer da gente é coragem.

[…]

A gente principia as coisas,
no não saber por que,
e desde aí perde o poder de continuação
porque a vida é mutirão de todos,
por todos remexida e temperada.
O mais importante e bonito, do mundo, é isto:
que as pessoas não estão sempre iguais,
ainda não foram terminadas,
mas que elas vão sempre mudando.
Afinam ou desafinam. Verdade maior.
Viver é muito perigoso; e não é não.
Nem sei explicar estas coisas.
Um sentir é o do sentente, mas outro é do sentidor”. (Guimarães Rosa)

Eu não conseguiria retratar melhor o que também é ser professor, professora, nesse país: é coragem.

Coragem para enfrentar a batalha de três períodos trabalhados por dia, de finais de semana para as correções das atividades, das longas distâncias percorridas entre escolas e casa, a da desvalorização de parte da sociedade, a da reinvenção em tempos de aula remota e a de tantos outros “leões” que enfrentamos. 

É CONSTRUÇÃO.  

 

“Solução
Pro cotidiano que anseia
Nossa missão
Educação clareia
Clareia

Na ventania o farol
Na sala na tela na rede na vida
Alcança quem busca feio sol
Ilumina, ilumina

Presente professora
Hoje o dia é de quem
Todo ano hora e sempre
É o luzeiro de quem voa
A janela o retrato
Do avião que vai partir
A janela o retrato
Do avião que vai partir” (Presente – O Teatro Mágico)

Somos o luzeiro de quem voa, o que nos remete ao início desse texto (que não acaba aqui, visto que é construção constante): educar é trazer à luz a ideia. Como faremos isso acreditando que estamos prontos? 

Eu só cheguei até aqui porque tive tantos outros professores os quais me ajudaram a preparar aulas, desenvolver novas didática e perceber que ser docente é ser estudante todos os dias. Aprendemos com nossos pais e mães, nossos avôs e avós, amigos e amigas, colegas de trabalho, e, claro, com professores e professoras que têm sempre algo a nos ensinar. É como eu disse em outro post aqui do blog: sou um professor em linha torta, e tenho muito orgulho disso. Hoje é dia de pensarmos sobre o quanto somos mais fortes enquanto grupo em prol de uma educação cada vez melhor, e que, conscientes da nossa incompletude, temos muito mais chances de nos unirmos. Vamos juntos?

É DÚVIDA.    

Como será 2021? Como podemos tornar nossas aulas mais atrativas aos alunos? Como sermos mais valorizados? Como continuar docente? Como…? 

Eu não tenho respostas, mas tenho energia para buscá-las, desde que haja cada vez mais colegas ao meu lado que dividam esses e outros questionamentos e que acreditem que nosso trabalho é especial, necessário, urgente. Hoje é nosso dia, mas, sem querer ser clichê, todos os dias são, pois todos os dias acordamos com o desejo de educar, de construir, de contribuir para a formação, para o crescimento, para a realização de sonhos. 

É, PORTANTO, UNIÃO.

Obrigado a todos e todas que fizeram e fazem parte da minha (nossa) formação. Parabéns pela vocação, coragem, crença na educação como processo, dúvida e construção. Parabéns por terem se reinventado nas aulas remotas, pela resistência às críticas e pela determinação. 

Obrigado por me fazerem acreditar que a educação é o caminho para um mundo, um país e uma sociedade melhores. Feliz dia dos professores, das professores, feliz dia, docentes!

 

 

 

 

 

 



Eduardo Zenon
Escrito Por
Eduardo Zenon

Professor de redação e coordenador na Pontue, é formado em Letras pela Universidade Federal de Uberlândia.

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