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Já há alguns anos se vem falando sobre a necessidade de reforma na educação, que pouco mudou no decorrer das últimas décadas, enquanto a tecnologia deu saltos enormes. O processo de inclusão da tecnologia na escola poderia ter sido feito paulatinamente – devagar se vai ao longe – se não fosse a pandemia do COVID-19 que nos obrigou às aulas online. Foi e tem sido um “teste para cardíaco”, como diria Galvão Bueno, já que as escolas, via de regra, não tinham até poucos meses nenhum planejamento para lidar com um ensino que mesclasse presencial ao remoto, quanto menos um ensino totalmente a distância. E aí, professor e professora, o que nos coube foi a experimentação: baixa aplicativo, exclui aplicativo, “qual plataforma usar?”, “acho que perdi os exercícios desse aluno, minha nossa”, “professor, não consigo abrir o arquivo” e por aí vai.

Houve, claro, quem tenha se saído melhor e tenha, de fato, aprendido a usar as ferramentas tecnológicas com um propósito claro e objetivo, e existiu, pelo contrário, quem tenha tentado continuar na zona de conforto, dando aulas ao vivo em que o professor continua escrevendo na lousa enquanto é filmado, o que é desgastante para todos os envolvidos. Seja como for, as escolas que continuaram o ano letivo o fizeram por méritos próprios – dos coordenadores e professores – e do modo como foi possível, tentando mostrar que depressa também se vai ao longe.

Pandemia finda, sala de aula tradicional de volta. Será? Acredito em duas coisas: O ensino híbrido veio para ficar, e a educação nunca mais vai se separar da tecnologia. Para saber mais sobre o ensino híbrido e por que ele vai tomar espaço, leia o post aqui. Sobre o segundo aspecto, o MEC já vinha cantando a bola do uso de tecnologia em sala de aula desde 2017, quanto propôs a nova BNCC (leia sobre ela aqui), e esse ano estreia o projeto-piloto do ENEM digital.

Sobre o ENEM digital, como a prova será aplicada?

  1. Foram disponibilizadas cerca de 100 mil vagas para cidades espalhadas por todo o país, mas estima-se que, até 2026, todos os 5 milhões e meio de participantes façam o ENEM digital;
  2. Os alunos deverão se dirigir às instituições escolhidas pelo Inep e responder às 90 questões objetivas nos computadores disponibilizados para eles, além da redação (que, em 2021, ainda será escrita a mão);
  3. As provas impressas e as digitais serão diferentes, visto que o ENEM digital ocorrerá depois, e espera-se que haja maior interatividade nas questões deste, mas nada confirmado.

Conclusões: nesse momento, o ganho seguro com o ENEM digital é somente a economia de dinheiro e de papel. Importante, é claro, mas a perspectiva do próprio MEC e dos professores é que essa mudança permita a incorporação do digital para o abandono do analógico com o qual estamos acostumados. Como? Quando pensamos em digital, o céu é o limite, então: incorporação de músicas, vídeos, infográficos, jogos, poesia digital etc.

Quando refletimos sobre o ENEM digital, embora eu acredite que ele seja um grande avanço, não se pode ignorar que os alunos que não têm acesso à internet nem em casa, nem na escola, estarão gravemente prejudicados.

A partir do mapa acima, dá para ter uma ideia do problema, e cabe ao MEC resolver a precariedade digital dos alunos e das escolas tão rapidamente quanto cumpre a promessa de exame integralmente digital em 2026.

Contudo, se você trabalha em uma escola que tem acesso à internet e cujos alunos também estão inseridos no mundo virtual, é o momento de começar a trabalhar com eles gêneros multimídia e linguagem digital. Por exemplo, o ENEM sempre foi afeito às análises de imagens, mas em breve será possível adicionar à imagem estática movimento e som e, para preparar os estudantes, uma ótima ideia é propor gêneros textuais, como resenha, de vídeos de pouca extensão, como curtas-metragens ou propagandas. Além disso, os gêneros digitais são importantíssimos, tais como infográfico, e-mail, post nas redes sociais e verbete de enciclopédia online.

Para te dar uma mão e despertar a sua criatividade, aqui você pode baixar uma proposta de redação que aborda o gênero digital “post nas redes sociais” (indicada para o 7º ano). Acelera, prof!



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Escrito Por
Jéssica Angeli

Professora de francês, literatura e redação. Formada em Letras pela UNESP Araraquara. Faz parte da equipe da Pontue e do @AceleraProf.

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