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BNCC: Base Nacional Comum Curricular. Até aqui, tudo bem, mas o que é isso mesmo?

Vamos imaginar a seguinte situação hipotética: cada escola de uma cidade resolve ensinar conteúdos diferentes em momentos diferentes. Na escola A, aprende-se álgebra no oitavo ano, e, na escola B – com altíssimas pretensões -, as pobres crianças são apresentadas a ela no quinto. Nem preciso continuar a narrativa, porque você já percebeu o problemão que isso iria gerar. Primeiro, uma disputa incessante entre as escolas para medir quem ensina o que mais rápido: diretores contratando espiões infantis que se infiltrariam na escola adversária para saber, afinal de contas, em que série as crianças estão lendo Os Lusíadas. “Ah, no quarto ano, excelente! Então aqui meus alunos lerão Camões no terceiro!”. Seria mais dramático e rocambolesco do que novela mexicana, além da tortura imposta aos estudantes. Segundo: e se os alunos trocam de escola? Claro que isso seria uma grande confusão, porque não se saberia mais em que ano exatamente cada aluno estaria. Além disso, como o Governo conseguiria medir o nível de aprendizagem dos alunos em idade de escolarização se não há nivelamento algum? De maneira simples, a BNCC estabelece parâmetros de aprendizagem para cada ano dos ensinos fundamental e médio, com habilidades a serem adquiridas em cada série, para que todas as escolas – e, até mesmo, quem opta pela educação domiciliar – estejam em sintonia e para que os estudantes consigam chegar ao final da escolarização básica com as mesmas competências. Assim, é com base na BNCC que as escolas deverão preparar o currículo.

“Ah, Jéssica, mas eu ouvia falar muito de PCN; afinal, o que foi feito deles?”

Os PCNs são, digamos, o pai da BNCC: Os Parâmetros Curriculares Nacionais foram aprimorados e substituídos, em 2015, pela BNCC, que é um documento de acordo com a Constituição Federal e composto pela opinião de especialistas e pelas sugestões de professores, coordenadores, pais e da comunidade escolar de todo o país. A BNCC, então, é muito recente. Sabiamente, para a sua implantação não causar tanto estranhamento àqueles que põem a mão na massa – eu e você -, o MEC criou o Pró-BNCC, programa composto por equipes que apoiarão as mudanças curriculares nas escolas, tendo em vista as novas diretrizes. Confira esse programa, ainda em andamento, aqui.

A BNCC foi criada com qual finalidade? 

Essa é uma ótima pergunta e, mesmo que você não tenha se questionado sobre isso, vai achar muito útil saber. A BNCC surge com a promessa de levar mais em consideração as diferenças entre os estudantes, quaisquer que sejam – sociais, econômicas, étnicas… Além disso, de ser mais clara quanto a quais devem, de fato, ser as habilidades adquiridas no fim de cada ano letivo (se você já leu os PCNs, sabe que não era assim tão simples entendê-los – aparentemente, as nossas preces foram atendidas e o MEC resolveu reformular tudo). Por último, mas de modo algum menos importante, olha só: o mundo muda muito rápido (ah vá). Hoje em dia as crianças não sabem o que é Orkut, Beyblade nem Nokia 2280. Daqui a alguns anos, talvez as próximas gerações não saibam o que é fone de ouvido com fio ou coador de café. Conforme tudo se transforma velozmente, é impossível imaginar que os parâmetros curriculares se mantenham os mesmos, não é? A contemporaneidade, o aqui e agora, oferece desafios para a educação que não existiam há 10 anos: o uso de Whatsapp a todo instante, a necessidade de preparo para lidar com fake news e as amizades fluídas das redes sociais são ótimos exemplos. A escola, na medida em que prepara um cidadão pleno, precisa absorver essas mudanças para que, após a passagem dos alunos pelo ciclo escolar, eles estejam totalmente aptos ao mundo atual.

No que se refere à área de linguagens, especificamente a de leitura e produção de textos, a BNCC incluiu habilidades como, por exemplo, identificar notícias falsas, reportagens e sites tendenciosos e produção de gêneros digitais – vlog, podcast, post em redes sociais etc.

Como a BNCC impacta o ensino? 

Inicialmente, a promessa de clareza parece ter sido cumprida, e o site vale a leitura! Assim, antes de preparar qualquer aula, consultar a BNCC pode dar um norte para o professor: qual é a habilidade a ser adquirida? Será que o aluno domina a habilidade anterior, sem a qual essa nova não pode ser plenamente dominada?. Por outro lado, as escolas deverão reformular os seus currículos, adequando-os à BNCC, e esse é um processo trabalhoso e longo – mas benéfico, especialmente pelas razões apontadas acima: a educação não pode ficar estacionada no tempo enquanto os clientes dela, os alunos, seguem as transformações e veem na escola um ambiente anacrônico. É como quem está habituado a um XBox brincar com um Tamagotchi.

A BNCC ainda causa dúvidas em muita gente (em mim, inclusive) e, por isso, nos próximos posts, vamos conversar sobre como a BNCC afeta os professores, os coordenadores, os pais e, por fim, vamos dar uma sugestão de plano de aula bem legal sobre gêneros digitais. Acompanha a gente e acelera, prof!

 



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Escrito Por
Jéssica Angeli

Professora de francês, literatura e redação. Formada em Letras pela UNESP Araraquara. Faz parte da equipe da Pontue e do @AceleraProf.

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