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Durante muitos (muitos) anos, os professores foram vistos como os únicos detentores de conhecimento e, também, de toda a atenção dos alunos dentro de sala de aula. Os tempos mudaram, assim como os alunos, e cabe aos professores apertar o passo e acompanhar. Pós-mudanças, a tecnologia, para alguns, pode ser vista como uma ameaça, porque rouba a atenção que o aluno antes destinava ao educador que está de pé na frente dele, visto que ela oferece o mundo, enquanto a sala de aula continua, muitas vezes, fechada entre quatro paredes.

Pior do que isso só a imagem estereotipada que alunos ainda têm dos professores: seres pré-históricos, que vivem mandando áudios cortados no whatsapp e que tiram selfies, com samambaias ao fundo, sem qualquer enquadramento. Essa imagem, é claro, é exagerada e motivada pela sala de aula tradicional. Parece irônico mas, mesmo que a tecnologia seja o que mais prendre atualmente a atenção de todos nós, os professores não são incentivados a utilizá-la em sala, ou não têm meios para fazer isso.

Apesar de o confinamento e as aulas a distância terem nos pegado de surpresa, vivemos o marco a partir do qual a tecnologia realmente vai passar a fazer parte da educação brasileira.

E o professor diante disso? Joga a toalha?

A outra opção, mais desafiadora, mas também muito mais interessante, é se apropriar da tecnologia e, ao invés de vê-la como apenas entretenimento na vida pessoal e inimiga na vida escolar, torná-la uma aliada útil.

E em que ela pode nos ajudar?

  • A) aprender pode ser mais divertido;
  • B) menos trabalho para o professor e
  • C) quando falamos de ensino híbrido, refletimos sobre a necessidade de garantir autonomia aos alunos, e a tecnologia pode nos ajudar a atingir esse objetivo.

Vamos ver como tudo isso acontece? Conheça ferramentas tecnológicas gratuitas que podem ajudar (e muito) nas suas aulas nesse “novo normal”.  

 

Pensado para a sala de aula, nesse recurso é possível criar várias turmas diferentes e adicionar os alunos em suas respectivas classes (via email). Uma vez que as turmas estão cadastradas, o professor pode enviar exercícios individuais ou para todos os alunos ao mesmo tempo, além de poder propor perguntas escritas e testes. Quanto aos exercícios, se eles forem enviados em .doc, podem ser resolvidos, pelos alunos, e corrigidos, pelo professor, na própria plataforma. As notas também podem ser incluídas no cadastro de cada aluno, rápida e facilmente. Ou seja: é uma ótima alternativa para não perder tempo enviando os exercícios para um aluno por vez e baixando vários trabalhos diferentes para o computador, além de evitar a confusão que é receber – e perder – dezenas de e-mails e mensagens diferentes com tarefas.

 

A competitividade dentro de sala de aula, em doses homeopáticas, deve ser estimulada e é um excelente auxílio ao conhecimento, já que faz o aluno se esforçar para vencer. Dito isso, perguntamos: você já pensou em propor um quiz para os seus alunos? Antes de uma redação cujo tema é, por exemplo, “A mobilidade urbana no Brasil”, por que não testar os conhecimentos dos estudantes sobre o tema antes de discuti-lo? No Kahoot é possível criar quiz (na versão gratuita) ilustrado com fotos e gifs e com pontuação variável. Para jogar, o professor deve compartilhar com os alunos o código do jogo, o qual eles acessam pelo celular ou computador; quando as respostas aparecerem na tela, eles selecionam o que gostariam de responder. Antes de pedir para os alunos guardarem o celular, que tal propor que eles o utilizem para aprender?

 

O brainstorming é uma técnica usada para a produção de conteúdo já há algum tempo. Mas o que você não pensou foi que o que pessoal da publicidade usa para fazer propagandas pode ser usado na escola, na sua aula de redação. Como? Uma opção é apresentar o título do tema e deixar que os alunos digam palavras que venham à mente deles, ao passo em que o professor vai construindo o mapa mental da sala no site. Depois, a sala, em conjunto, pode tentar encontrar a relação que todas as palavras estabelecem com o tema proposto. É uma maneira muito interessante de deixar que os alunos tomem a frente na hora da discussão, dando ao professor um papel de mediador. Outra proposição interessante é pedir que cada aluno diga uma palavra (verbo, substantivo, adjetivo…) e, depois, propor a eles que escrevam uma narrativa inserindo, nela, todos elas. Sem dúvidas eles vão se divertir bastante.

  • TED Talk (site, vídeos apenas com legenda em português) 

Existem palestras do TED Talk sobre os assuntos mais variados possíveis. Ao invés de, ao preparar uma proposta, usar apenas textos, por que não selecionar um vídeo em que um especialista – ou uma pessoa comum – discute, usando uma linguagem simples, o tema alvo daquela aula? Ver um vídeo aproxima mais os alunos do conteúdo, visto que há uma pessoa que fala “diretamente” com o espectador e prende a sua atenção. Por isso, essa estratégia deve contribuir para a discussão em sala.

O Google Earth é um recurso do Google que permite ao visitante viajar por todo o globo terrestre e observar as regiões, casas e cidades com um bom nível de detalhamento. Certamente muito útil para um professor de geografia, mas como isso pode ser usado na aula de redação? Para os gêneros textuais, em muitos momentos, a inspiração – que anda junto à criatividade – é de extrema importância, e essa inspiração pode ser visual. Com o Google Earth é possível propor aos alunos que escolham, por exemplo, uma casa, em qualquer lugar do planeta, e façam um texto narrativo (crônica, conto) sobre quem viveria naquela casa e como seria a sua vida. Ou mesmo escolher um monumento histórico e produzir um texto descritivo a partir do ponto de vista escolhido. Os textos, então, seriam compostos por texto e imagem (um print da tela do computador).

Imagine duas situações: na primeira, você recomendou que os alunos assistissem a um vídeo para desenvolver uma proposta de redação, mas não sabe se eles, de fato, assistiram. Na segunda, você quer propor questionamentos no decorrer de um vídeo, mas teria que escrever para os alunos pedindo que eles dessem pause em momentos específicos, lessem as suas perguntas, respondessem e, então, voltassem a assistir. Trabalhoso, né? O Edpuzzle resolve os dois problemas: o professor consegue ver até que ponto cada aluno viu o vídeo postado e, além disso, pode incluir perguntas em partes específicas do vídeo; assim que o aluno as responde, elas desaparecem, e o vídeo continua. Com essa ferramenta, usar depoimentos em vídeo (os do TED, por exemplo) vai ser mais fácil e produtivo!

O Padlet é uma ferramenta colaborativa que permite a criação de uma página comum com textos, fotos, sons, desenhos, vídeos e várias outras opções. A partir de um tema norteador, várias mídias e pontos de vista diferentes podem ser incluídos. Depois, essa página pode ser compartilhada e qualquer pessoa que tenha o link pode acessá-la. Essa ferramenta é muito interessante para as aulas de redação, especialmente as de gêneros textuais: imagina só que interessante montar uma página com todos os textos da sala!

Conhecer essas possibilidades é importante, mas o primeiro passo para trabalhar a tecnologia com seus alunos de redação é: traçar o plano de aula.

E então, professor(a), que tal trabalharmos juntos usando essas ferramentas? A gente vai dar uma dica que servirá de passo inicial para o uso delas nas suas aulas.

Vamos lá?

Você pode propor aos seus alunos um texto narrativo sobre o tema “A frota fantasma de Singapura”. Trata-se de um mistério moderno na costa de Singapura: dezenas de navios aparecem abandonados, dia após dia, sem qualquer tripulante a bordo. Para entender do que se trata, os alunos podem acessar o site. Há muitos sites que exploram melhor a história e dão argumentos econômicos irrefutáveis, mas o objetivo aqui é deixar a imaginação dos alunos tomar conta; logo, esse é o mais indicado, visto que dá pouquíssimas informações sobre o fenômeno.

Depois, como estímulo visual e “motor de curiosidade”, eles devem observar a região no Google Earth, em que se pode ver a quantidade enorme de barcos abandonados. Baseando-se nesses dois documentos, os alunos devem criar uma narração, em primeira pessoa, na qual o personagem principal explique a razão (sobrenatural, lógica, científica etc) que levou os navios a aparecerem nos portos sem passageiros a bordo. Eles também devem escolher uma foto que ilustre a narrativa (que pode ser um print da tela do Google Earth, da região da costa de Singapura que eles escolherem).

Depois, você pode postar todas as narrativas da sua turma no Padlet, dando os devidos créditos aos autores e usando as fotos que eles escolheram para ilustrar cada história: será um trabalho colaborativo, uma coletânea de contos inspirados em um mistério que intriga os curiosos ao redor do mundo. Por fim, só vai ficar faltando escrever um título bem criativo e compartilhar com os colegas.

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Eduardo Zenon
Escrito Por
Eduardo Zenon

Professor de redação e coordenador na Pontue, é formado em Letras pela Universidade Federal de Uberlândia.

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