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A nova BNCC (link do post anterior) chegou chegando com várias mudanças e continuidades: se, por um lado, a tecnologia passou a ser mais incluída, assim como a literatura marca mais presença nas habilidades a serem adquiridas, por outro, há questões que permanecem, como a moderna noção de linguagem já apontada nos PCNs (quaisquer situações de comunicação). Porém, no que concerne à gestão escolar, entre as idas e vindas, também há mudanças sobre as quais os gestores precisarão refletir na hora de planejar o PPP.

Antes: já sei o que são a BNCC e o PCN, mas o que é esse PPP?

O PPP – Projeto Político Pedagógico – é um documento base do ano letivo, construído de maneira colaborativa, entre a escola e toda a comunidade escolar, que deve ser atualizado anualmente e que também pode sofrer alterações no decorrer do ano letivo, caso haja essa necessidade. Em teoria, é sensacional! O problema acontece quando a teorização não passa do papel e, para que isso não aconteça, é necessário que ele seja mesmo um documento mutável, que contemple as limitações e possibilidades da escola, dos professores e da comunidade escolar como um todo. Além disso, claro, que obedeça às transformações impostas pela BNCC.

Como adequar o Projeto Político Pedagógico à nova Base Nacional Comum Curricular?

Agora que já chegamos a uma sintética definição do que seria esse documento e da importância dele, é importante manter a calma. A BNCC não exige uma reformulação completa do PPP, mas uma readequação que faça com que ele passe a contemplar as habilidades  previstas pelas novas diretrizes. A liberdade da escola para avaliar a sua comunidade e as suas ambições, evidentemente, não deverá ser anulada, mas precisa de estar em consonância com as mudanças. Para começar, é muito importante ler toda a BNCC e, depois, interpretá-la em conjunto com os componentes do ambiente escolar, para, só então, inseri-la no Projeto Político Pedagógico da instituição (evidentemente que os pais estão nesse grupo, afinal, eles são parte importantíssima do processo de aplicação efetiva do ensino).

Efetivamente, quais as principais mudanças aplicadas na gestão escolar?

A nova BNCC propõe modelos de avaliação que levem em consideração que a educação, como sabemos, é um processo (finalmente!). Por conta disso, a BNCC sugere avaliações integrais e globais, que contemplem o caminho formativo do aluno no decorrer do período letivo e, também, as condições de aprendizagem da escola. O objetivo dessa mudança, além de respeitar a experiência de aprendizagem de cada aluno, é proporcionar, no decorrer dos semestres, um diagnóstico também da escola e das limitações da instituição que porventura possam ter interferido negativamente na aplicação da BNCC e no aprendizado dos estudantes.

Além disso, é enfatizada a oferta de conhecimentos que façam sentido para o aluno, que estejam ligados às suas necessidades e expectativas, bem como ao mundo contemporâneo que cerca todos nós, mas que afeta especialmente os indivíduos ainda em formação. Resumidamente, a BNCC propõe que todas as capacidades, os interesses, as culturas e os modos de estar no mundo sejam contemplados no contexto escolar.

Por fim, provavelmente uma das transformações mais significativas é a inserção marcante da tecnologia no contexto de sala de aula. Utópico? Com certeza, mas é nesse aspecto que é importante não perder de vista a situação particular de cada escola, especialmente suas limitações, citada ali acima, na hora de escrever o PPP. Um Projeto Político Pedagógico que não possa se adequar à BNCC por questões de infraestrutura ou de profissionais, requer, evidentemente, uma readequação que, quem sabe, possa ser concedida pelo MEC. É preciso sonhar.

Assim, todos os modos de se manifestar no mundo devem estar, em teoria (frisa-se), inseridos no ambiente escolar. Ademais, entende-se que, neste, dá-se um processo de formação que não abarca apenas o conteúdo programático, mas o desenvolvimento de um cidadão plenamente apto ao mundo contemporâneo. Por fim, a tecnologia deve fazer parte do contexto escolar. Algumas consequências práticas muito importantes derivam dessas três transformações. Primeiro, se as necessidades específicas dos alunos precisam ser levadas em conta, e a própria BNCC reconhece que cada um deles é um indivíduo singular cujos interesses e objetivos devem ser respeitados pela escola, submetê-los todos a um mesmo percurso formador é contraditório.  Segundo, a escola se torna, também, um ambiente em que devem ser desenvolvidas competências socioemocionais, já que essa é uma demanda agravada ainda mais pelas mudanças do contexto de produtividade e tecnologia atual. Terceiro, a tecnologia precisa ser usada de maneira lógica.

À partida, conciliar essas três mudanças pode parecer muito difícil, mas esse não precisa ser um cenário apocalíptico! A interdisciplinaridade, por exemplo, pode ser aplicada na escola com maior ênfase, dado que o conhecimento já não é, há muito tempo, visto como um conjunto de peças isoladas, mas, digamos, peças de um quebra cabeça. Assim, o processo de formação se tornaria mais completo, exatamente como prevê a BNCC.

Em relação às competências sociais e afetivas e à tecnologia, ambas podem caminhar juntas por meio do ensino híbrido. A escola, enquanto local de socialização, pode transferir para o ambiente digital parte da formação estudantil, como atividades, pesquisas e leituras, sem que haja prejuízo algum de formação, mas muito antes o contrário, visto que o aluno se tornaria mais autônomo, mais hábil a construir o seu próprio método de aprendizagem de acordo com suas expectativas, ritmo e capacidades. É nisso que reside a importância das plataformas de aprendizagem online, como a Pontue, que podem oferecer um ambiente seguro e com todas as ferramentas necessárias para o desenvolvimento individual de cada aluno, sob tutoria do professor que, de acordo com a BNCC, não é mais o detentor de conhecimento, mas um guia. Em sala de aula, é impossível fazer com que todos os alunos tenham o mesmo ritmo de aprendizagem, certo? E mais inimaginável ainda é pensar que o professor possa dar a atenção necessária aos estudantes, individualmente, para auxiliá-los. Mas, online, o conteúdo pode ser reacessado, no ritmo de cada um, e podem-se fazer pesquisas complementares.

Ademais, as plataformas de aprendizagem online podem oferecer um percurso formativo que se adapte aos interesses e necessidade de cada aluno, mais uma vez correspondendo à BNCC. Fisicamente, pode ser difícil oferecer aos alunos aulas de empreendedorismo, investigação científica ou processos de criação, seja por falta de profissionais capacitados que possam estar presentes na escola, ou mesmo por falta de espaço que abrigue essas aulas. Transferi-las, então, para o ambiente virtual, é uma opção.

“Crise” é uma palavra derivada do grego “krisis”, que significa, em sua origem, um momento de transição. Portanto, recorro à etimologia para frisar que, embora as mudanças provoquem crises, visto como a nova BNCC desencadeou uma série de dúvidas em todos nós, no fim delas há um cenário novo, e seguramente, nesse caso, melhor. Acelera, prof!



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Escrito Por
Jéssica Angeli

Professora de francês, literatura e redação. Formada em Letras pela UNESP Araraquara. Faz parte da equipe da Pontue e do @AceleraProf.

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