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Uma das competências gerais da BNCC é:

“Exercitar a empatia, o diálogo, a resolução de conflitos e a cooperação, fazendo-se respeitar e promovendo o respeito ao outro e aos direitos humanos, com acolhimento e valorização da diversidade de indivíduos e de grupos sociais, seus saberes, identidades, culturas e potencialidades, sem preconceitos de qualquer natureza.”

Há aqui várias possibilidades com as quais podemos trabalhar com os alunos, e eu tento partir de propostas que, antes da escrita em si, estimulem-nos a debater na sala de aula. Vejamos um exemplo de discussão atualíssima, e como ela pode dar um conteúdo legal para a aula de redação.

Hora de falar sobre TikTok.

Se você não sabe o que é a plataforma da vez, é hora de dar aquele Google, ou mesmo baixar o App (provavelmente, vários dos seus alunos o usam e já gravaram vídeos por lá).

O TikTok é um aplicativo que permite gravar vídeos curtos, geralmente, em que as pessoas fazem dublagens musicais, clipes ou cenas de humor. Há mais de 1 bilhão de usuários ativos mensais em todo o mundo; portanto, é um assunto que a sala de aula certamente domina.

Mas como trazer uma plataforma de entretenimento para as aulas de redação? Vamos lá.

Há um perfil chamado @pequenalo, de uma garota, de 24 anos, a Lorrane, que tem feito sucesso nas redes sociais (o Instagram dela já conta com mais de 1 milhão de seguidores). Quando procuramos reportagens falando sobre ela, encontramos manchetes como essa: “Sem medo de limitações, humorista supera deficiência e faz rir no TikTok”
Podemos perguntar para nossos alunos: Por que está escrito que ela superou a deficiência?

Pouco a pouco, pode-se questionar a sala sobre o modo como nossa sociedade em geral lida com pessoas deficientes, e refletir sobre a ideia pré-concebida de incapacidade de realização de tarefas por conta da deficiência. Mais: quando uma pessoa com deficiência realiza algo (como, no caso, fazer piada), surgem textos considerando a prática “surpreendente”, quase um “milagre”.

Quer outro exemplo? O filme Extraordinário conta a história de Auggie, um garoto de 10 anos que possui uma deformidade facial. Quando ele finalmente passa a frequentar a escola, enfrenta bullying e rejeição durante parte da narrativa, até ser acolhido pela escola e reconhecido pela sua inteligência, o que, aparentemente, é o que o torna Extraordinário.

A surpresa por parte da sociedade em casos de conquistas de pessoas deficientes, ou a inferiorização delas, tem nome: capacitismo. É um assunto que tem percorrido as redes sociais, e nós, professores, podemos usar como gancho uma plataforma conhecida dos alunos para trazer essa discussão, e, a partir dela, propor algumas produções de texto. Por exemplo:

1- Podemos criar uma página de TikTok da escola, e propor aos alunos que, após entenderem o que é capacitismo e quais discursos podem ser considerados capacitistas, farão vídeos na plataforma como conscientização para os colegas das outras turmas. É uma atividade que pode ser proposta aos alunos de 6º e 7º anos (mas vale para as outras séries também), pelo caráter lúdico e divertido. Voltando à BNCC, estaremos trabalhando a empatia, o diálogo, a promoção do respeito ao outro e aos direitos humanos, com acolhimento e valorização da diversidade. Ao final da atividade, podemos até fazer um concurso para premiar o vídeo com a maior quantidade de curtidas. A atividade vai além da sala de aula, e a produção de texto fará muito mais sentido.

2- Considerando a mesma discussão, podemos propor aos alunos de 8º ou 9º ano a produção de um artigo de opinião que será publicado no portal da escola sobre a temática: “Capacitismo: preconceito ou falta de informação?” (Nesse caso, estou considerando que o gêneros e as características dele tenham sido trabalhados previamente com a turma).

3- Podemos tentar entrar em contato com a @pequenalo e fazer uma entrevista em vídeo, transmitida por uma dessas plataformas de reunião on-line, em que os alunos farão perguntas sobre situações que podem ou não ser consideradas capacitistas. Ao final da entrevista, eles farão a transcrição da entrevista para o texto escrito, e ela será também publicada na página da escola.

4- Outro gênero possível de ser trabalhado com os alunos é o informativo. Após a turma assistir a alguns vídeos da @pequenalo e outros que tratem do capacitismo, eles podem produzir um texto em formato de cartaz, o qual será colocado nas paredes da escola, explicando o que é esse conceito novo, além de orientações sobre o que são e o que não são atitudes capacitistas. A discussão sai da sala de aula, e, novamente, a produção textual passa a fazer mais sentido para os alunos.

Existem inúmeras possibilidades de tornarmos as aulas de redação mais próximas do universo dos alunos. É trabalhoso, certamente, mas gratificante quando eles produzem textos com mais vontade. Aliás, brincamos um pouco com vídeos ligados à rotina dos professores no TikTok. O perfil é @aceleraprof. Ainda temos pouco conteúdo (porque é trabalhoso que só fazer um vídeo desses, e estamos em outra geração, vamos combinar…). Mas vale como ideias para a prática em sala de aula.

Nos próximos posts, traremos mais ideias, tanto para o Ensino Fundamental, quando para o Médio.

Até mais! Acelera, prof!



Eduardo Zenon
Escrito Por
Eduardo Zenon

Professor de redação e coordenador na Pontue, é formado em Letras pela Universidade Federal de Uberlândia.

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