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Se a introdução é o cartão de visitas do texto e o desenvolvimento é a exposição das ideias, a conclusão é o grand finale. Depois de ler toda a redação, a conclusão serve para retomar a tese e os argumentos principais que a sustentam, para frisar o ponto de vista abordado e para que o leitor termine a leitura com essas ideias bem “frescas”.

Como orientar os alunos a construir uma boa conclusão para a redação da UNESP?

Primeiro, eles têm que ter em mente que a UNESP foca muito na argumentação. Assim, as ideias precisam estar muito bem encadeadas da introdução à conclusão. Pode parecer bem “feijão com arroz” se compararmos à redação modelo FUVEST, mas não é tão simples!

Isso porque há alguns cuidados para os quais temos que chamar a atenção dos alunos: coerência e falha argumentativa.

Coerência na conclusão:

 

É evidente que a coerência precisa ser mantida em todo o texto, mas é bem mais possível que, no momento em que o aluno vai dar ênfase às suas ideias, a incoerência aconteça, já que ele pode se contradizer. Lembra-se da história de grifar a tese? Isso também pode ser um facilitador nessa etapa, já que o aluno vai bater o olho no primeiro parágrafo e saber, claramente, qual é a ideia que precisa ser retomada uma última vez na conclusão. Assim, ele não se contradiz por falta de atenção.

Uma outra questão, ainda mais recorrente, é o aluno continuar argumentando na conclusão, apresentado novas ideias ou fazendo mais questionamentos sobre o tema. Porém, a conclusão não é um espaço para novos argumentos, já que, no fim do texto, não há espaço suficiente para desenvolver aquelas ideias. Uma vez que o aluno insere novas ideias, mas não as explica suficientemente, temos lacunas argumentativas, ou seja, explicações superficiais, que deixam o leitor em dúvida. Além disso, conforme o gênero dissertativo argumentativo exige, no final da redação deve-se apenas retomar os argumentos que já foram apresentados e desenvolvidos e reafirmar a tese.

Se a tese ainda não havia sido apontada no decorrer do texto, a conclusão é a última chance para que ela seja evidenciada. Nessa estratégia argumentativa, o aluno sabe qual é a sua tese mas não a aponta na introdução; ao contrário, ele expõe apenas o tema, usando as palavras-chave. Nos parágrafos seguintes os argumentos tenderão a uma opinião, de modo que o ponto de vista do aluno vá se construindo no decorrer do desenvolvimento. Depois de discutir as ideias, o leitor e o autor da redação chegam à conclusão juntos, já que ela é óbvia após a discussão daqueles argumentos. Nesses casos, a conclusão aponta o tema e, também, a tese. Porém, é preciso lembrá-los de que a tese não surge do nada, pois ela é esperada e vinha sendo construída nos parágrafos anteriores. Mais do que isso, ela precisa estabelecer uma relação lógica com as ideias apresentadas anteriormente. Mas, atenção: embora seja uma estratégia interessante, ela deve ser adotada apenas por alunos que dominem o gênero, já que é mais arriscada.

Por fim, é sempre bom lembrar os alunos de que a conclusão da redação modelo UNESP também não pode apresentar uma proposta de intervenção, que é característica exclusiva dos textos ENEM.



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Escrito Por
Jéssica Angeli

Professora de francês, literatura e redação. Formada em Letras pela UNESP Araraquara. Faz parte da equipe da Pontue e do @AceleraProf.

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